31 de março

Secretário-geral da Intersindical espera grandes manifestações nesta sexta

In Capa, Notícias 30 março, 2017 15:54

Edson Carneiro Índio, secretário-geral da central sindical Intersindical, conversou com Previdência, Mitos e Verdades sobre as manifestações programadas para este 31 de março: “A expectativa é muito boa. Esperamos manifestações expressivas em todo o Brasil, num movimento crescente até a greve geral em 28 de abril”.

 

Para o sindicalista, a aprovação da terceirização das relações de trabalho pela Câmara dos Deputados espraiou uma insatisfação que já era expressiva, contra a reforma da Previdência: “havia uma insatisfação grande com a Previdência, e a terceirização praticamente convocou os jovens para a luta, pois é o futuro deles que estará mais comprometido com o fim de relações de trabalho mais estáveis e institucionalizadas –cortaram o futuro da juventude.”

Índio esteve durante toda a quarta-feira no Congresso Nacional e revela que o cenário é muito confuso. “A impressão é que o Temer radicalizou. Ele perdeu base na votação da terceirização, e a lógica indicaria necessidade de negociar, mas tudo indica que, para se manter no poder, ele precisa continuar a fazer o ‘serviço sujo’ e entregar todo o pacote de reformas prometidos aos que se julgam donos do Brasil.  Parece que se ele não garantir a aprovação de todas as reformar ele não se aguenta”.

Para agravar o cenário, explicou o sindicalista, o cenário em torno da terceirização está conturbadíssimo. “Eles obtiveram uma vitória muito importante, mas o texto aprovado, o PL 4302, se por um lado é muito mais selvagem no sentido da precarização  selvagem, que é o desejo do empresariado, por outro lado tem uma fragilidade jurídica patente, o que pode atravancar sua implementação”.

O caminho que parecia definido pelos estrategistas do governo, de aprovar o outro projeto de terceirização no Senado (o PLC 30), menos radical mas mais consistente juridicamente, foi, segundo Índio, abandonado pelo governo: “Não se sabe bem, mas parece que eles tentarão superar as fragilidades jurídicas do projeto ao longo da aprovação dos demais projetos da reforma trabalhista”. O PL 4302, que pareceu num primeiro momento “o bode na sala”, segundo o líder da Intersindical, acabou aprovado, representando um desastre em larga escala para os trabalhadores e trabalhadoras ainda mais com seus efeitos sobre a Previdência, que perderá recursos imensos.

Mas há muita incógnita à frente: ele será implementado como foi aprovado ou ainda sofrerá adaptações?; como a Justiça do Trabalho reagirá a ele?; e o STF? São perguntas ainda sem resposta, segundo o sindicalista.

 

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