Lógica do inimigo

Para minar greve geral, a aposta é a de sempre: ódio e desinformação

In Capa, Notícias 27 abril, 2017 9:40
greve geral contra reformas

Contra a greve desta sexta (28), usa-se uma nova forma de fazer política, consolidada em um período recente principalmente nas redes sociais

Por Glauco Faria

Em mais uma tentativa de diminuir o potencial da greve geral marcada para esta sexta-feira (28), chegou aos Trending Topics Brasil na manhã desta quinta (27) uma hashtag denominada #GreveNAO.

Pra variar, trata-se da exploração da lógica do inimigo: se quem eu não gosto está do outro lado, eu estou desse aqui. Vale tudo pra jogar uma cortina de fumaça nas perdas e ameaças de perdas de direitos de trabalhadores. Desde fomentar o já tradicional antipetismo, dizer que se trata de uma manifestação “convocada” por Lula ou que o protesto é apenas para manter o imposto sindical.

Não há nenhum pingo de verdade nessas argumentações, muito menos informações sobre a forma com que as alterações propostas pelo Planalto afetarão os trabalhadores que vão perder muito, mas muito, com a aprovação das “reformas” pretendidas por Temer.

Aliás, se existe uma característica marcante da greve programada para 28 de abril é sua capilaridade e ausência de lideranças que representem o movimento em sua totalidade. O que une todos é a própria sanha do governo, aliado aos poucos e poderosos segmentos interessados nas mudanças, em atropelar direitos. Não é à toa que todas as centrais, entre as que atacaram e as que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff, por exemplo, estão juntas na articulação desse movimento.

Também não é de se espantar que vários movimentos e entidades da sociedade civil estejam contra as “reformas” e a favor da greve geral. São diversos bispos no Brasil gravando mensagens e convocando a população a aderir, igrejas evangélicas fazendo o mesmo, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos atentando para o tamanho do retrocesso da “reforma” trabalhista e o Ministério Público do Trabalho reafirmando o óbvio, que greve é um direito e há legitimidade nas reivindicações que motivam a do dia 28.

Várias tentativas de desinformar e desmobilizar a população vão acontecer nas redes sociais nessa véspera de greve. É preciso estar atento e divulgar a realidade do que representam as mudanças propostas pelo governo, como ferem direitos e como vão afetar o futuro das próximas gerações.

E falando sério com quem curtiu a hashtag: vale a pena abrir mão de seus direitos só pelo ódio a algum partido ou liderança política? Não pense com o fígado…

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One commentOn Para minar greve geral, a aposta é a de sempre: ódio e desinformação

  • A pós-verdade se torna uma necessidade imperiosa para a classe dominante quando ela não pode mais prometer qualquer progresso ou desenvolvimento para os debaixo.

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