‘Não posso ficar preso à população. Se for pelo que ela acha, não teria reforma’

In Destaques, Notícias 18 maio, 2017 10:43

Relator da proposta de reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), admite que governo não tem os votos para aprovar a PEC 287. “Eu não acho que esteja no tempo de votar, não”

Da RBA

O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA) negou, em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo publicada hoje (17), que a proposta de reforma da Previdência, da qual foi relator, tenha mantido privilégios. “Eu não posso ficar preso no que a população acha. Porque se for pelo que a população acha, não teria reforma. Privilégio é deputado se aposentar com dois mandatos. Eu poderia ter me aposentado com 28 anos pela Assembleia da Bahia, mas achei feio demais. Se você me disser qual é o privilégio que tem nessa reforma, dou a mão à palmatória.”

Na avaliação de Maia, os trabalhos na comissão especial que analisou o tema foram conduzidos de forma transparente. “Como um deputado que apoia o governo, que votou no impeachment e quer o sucesso do governo, não me interessa fazer uma reforma que não vai resolver o problema da Previdência”, afirmou.

Para o parlamentar, o governo não teria hoje votos suficientes para aprovar a PEC 287 no plenário da Câmara dos Deputados – são necessários 308 votos. “Eu não acho que esteja no tempo de votar, não”, declarou, dizendo em seguida que quem vai definir quando a proposta será votada é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Realmente, existem ainda muitas conversas a serem feitas, muitos esclarecimentos. Na minha opinião, o maior problema da PEC não é mais o texto, mas a desinformação.”

A avaliação de Maia contrasta com a do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que em entrevista dada durante sua participação na 20ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, disse que o governo já tem os votos para a aprovação da reforma. “Acreditamos que sim”, afirmou, quando questionado.

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