Mulheres protestam contra PEC 287 na Câmara dos Deputados

In Destaques, Notícias 2 fevereiro, 2017 13:21
reforma da previdencia e mulheres

Manifestação de movimentos em defesa dos direitos da mulher aconteceu na tarde desta quarta-feira (1) no hall de taquigrafia da Casa, com o mote “nenhum direito a menos”

A “reforma” da Previdência foi alvo de protestos de movimentos em defesa dos direitos da mulher na tarde desta quarta-feira (1), no hall de taquigrafia da Câmara dos Deputados. O ato serviu para que elas pudessem reafirmar que não vão aceitar nenhum direito a menos e contou com a presença de representantes de coletivos como a Marcha das Mulheres, Marcha das Margaridas, Rosas pela Democracia, entre outros coletivos. Parlamentares também participaram do ato.

“Esta reforma vai atacar de forma muito violenta as mulheres. O reconhecimento de que as mulheres têm a dupla ou tripla jornada e trabalham mais do que os homens em atividades não remuneradas foi o que fez com que o constituinte determinasse que elas tivessem uma aposentadoria com menos tempo de contribuição para o sistema”, apontou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Para diversos pesquisadores, a PEC 287 vai agravar a desigualdade de gênero ao propor, entre outras medidas, o estabelecimento da mesma idade mínima para homens e mulheres. “Vamos pensar nas mulheres, que têm ainda no Brasil o direito de ter cinco anos de tempo de contribuição e idade para se aposentar um pouco antes. Isso porque elas trabalham acumulando duplas, às vezes triplas jornadas de trabalho, muito mais tempo que os homens. Pegando dados da Pnad, os homens trabalham em média, no trabalho doméstico, dez horas por semana, e as mulheres, 21 horas e 35 minutos, o que é feito invisivelmente, que quase ninguém enxerga”, avalia coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais (NEPEM/UFMG), Marlise Matos.

Para ela, a situação das mulheres do campo é ainda pior em caso de aprovação da proposta do governo. “Se as mulheres urbanas trabalham essa quantidade que mencionei, 21 horas e 35 minutos por semana com trabalho doméstico, isso chega a 29 horas no mundo rural, onde essa discussão sobre divisão de trabalho às vezes nem existe, sequer está colocada. E é um trabalho árduo, debaixo do sol. No Brasil, com essas desigualdades regionais gigantescas que a gente tem, as mulheres no Nordeste, no Norte, estão sujeitas a todo tipo de adoecimento físico, e psíquico também. É verdadeiramente um massacre se formos imaginar que essas pessoas vão ser obrigadas a contribuir por mais tempo e só poder se aposentar com mais cinco anos do que é previsto na legislação de hoje.”

Foto: Mídia Ninja

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