Globo News e a “guerra de informações” sobre a Previdência

In Destaques, Notícias 13 janeiro, 2017 12:50
marcelo caetano entrevista globo news

Emissora aproveita o próprio erro para indicar governo como “fonte” principal do debate sobre as alterações no sistema previdenciário brasileiro

Por Glauco Faria

Na edição desta quarta (11) do programa Globo News em Pauta, do canal de televisão por assinatura da família Marinho, a comentarista de economia Mara Luquet se desculpou por ter dado a informação de que todos os benefícios da Previdência Social seriam desvinculados do salário mínimo de acordo com o proposto pela PEC da “reforma”. Na verdade, quem poderá ganhar abaixo do piso nacional são os pensionistas e aqueles que recebem benefício de prestação continuada. Isso, a propósito, não foi nenhuma “bondade” do governo Temer: a avaliação dos técnicos era de que desvincular as aposentadorias do salário mínimo poderia causar uma enxurrada de ações judiciais, podendo até mesmo ser algo contestado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Errar é algo inerente à qualquer profissão, e os jornalistas não estão livres disso, ainda mais em uma época em que há abundância de informações, nem todas confiáveis. A jornalista da Globo News fez o correto. Corrigiu a informação dada anteriormente no mesmo espaço, dando destaque semelhante ou até maior. O problema é o que veio depois da correção.

“Olha a importância de prestar atenção nas informações. Já começou a haver uma guerra das informações, principalmente nas redes sociais. Atenção, porque está saindo muita coisa errada, truncada, manipulação de informações pra tentar mobilizar aí algumas pessoas. É importante checar sempre na fonte. O ministério tem página no Facebook, página na internet, está nas redes sociais, vai lá, pergunta pra saber exatamente o que é que é”, disse a jornalista, anunciando em seguida uma entrevista com o secretário de Previdência Social do governo temer, Marcelo Caetano, que entrou na sequência.

Sem dúvida que as pessoas devem checar informações antes de tirar conclusões ou propagá-las por outros meios. Mas o erro, no caso, foi da Globo News, e não das redes sociais. E tampouco a única “fonte” possível é o ministério. Existem diversos pontos polêmicos e interpretativos da PEC 287 (aliás, se você quiser conferi-la na íntegra, clique aqui) e diversos especialistas formularam e formulam pontos de vista preciosos, baseados em dados fornecidos pelo próprio governo. Foi assim, por exemplo, que boa parte da sociedade passou a questionar a noção de “déficit” da Previdência. Somente com o Planalto como “fonte”, ficaria difícil questionar o conceito.

Mas também há uma tentativa da mídia tradicional, alinhada com o governo e com defensores da “reforma”, de deslegitimar informações que contrariem aquilo que é proposto pela PEC 287. É só observar, aliás, que mesmo antes da proposição de mudanças no sistema previdenciário, já havia um hábito entre os veículos comerciais de tratarem mesmo grandes portais informativos de esquerda pelo termo genérico “blog”, como se fosse algo menor ou sem credibilidade.

Na entrevista, Marcelo Caetano ressalta que “só” os que recebem pensão por morte terão o benefício desvinculado do salário mínimo. São cerca de 4 milhões de pessoas. Fora as outras quase 4,4 milhões que recebem o benefício de prestação continuada, entre idosos e pessoas com deficiência. Está longe de ser pouca gente.

Em seguida, o secretário fala a respeito da vedação de se acumular pensão por morte e aposentadoria, alertando (como se fosse uma ótima notícia respeitar direito adquirido) que os pensionistas atuais não sofrerão essa restrição, nem mesmo aqueles que tiverem direito até a data de promulgação da alteração, caso seja de fato aprovada. Faltou o secretário explicar porque os militares ficaram fora da regra por conta de uma mudança na PEC feita antes da elaboração do parecer na CCJ da Câmara, sendo que, segundo o ministro da Defesa Raul Jungmann, os militares querem abrir mão desse “privilégio”, como ele mesmo classifica. Lembrando que a PEC 287 sequer foi debatida com a sociedade, teria o governo cedido a uma pressão que sequer havia sido exercida àquela altura? O secretário poderia explicar.

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